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quarta-feira, 17 de junho de 2026

Guiné 61/74 - P28107: Humor de caserna (274): O pé de Salazar e o de Eusébio: "uma boa história para eu contar aos rapazes" (Cilinha) (excerto da sua biografia, por Sílvia Espírito-Santo)


Prompt original e composição editorial: Luís Graça.

Texto e fotos: Sílvia Es+írito-Santo

Geração gráfica assistida por IA: ChatGPT/OpenAI.




Cartaz de propaganda do MNF - Movimento Nacional Feminino. In: Presença, nº 2, 1964. pág. 15. (Reproduzido, com a devida vénia, do livro de Silvia Espírito-Santo, "Cecília Supico Pinto: o rosto do movimento nacional feminino”. Lisboa: A Esfera do Livro, 2008, pág. 145)


1. Do cap. VIII ("Na retaguarda da guerra"), do livro supracitado (a única biografia académica que conhecemos da presidente do MNF), tomamos a liberdade de reproduzir o seguinte excerto, sobre "os artistas que animaram a guerra"(pp. 143-146):

 [Cilinha] incentivou o desporto. promovendo jogos de futebol entre unidades militares (...). Deu voz ao jovem Eusébio, então uma estrela emergente do 'desporto nacional' (...). Levou a música, o futebol e a cultura ao mato, sem nunca se esquecer de promover Salazar  junto dos militares ou das populações. Ela foi a ponte entre Salazar e África, entre os militares e o ditador.

Em 1964, nas vésperas de partir para Angola, fui ao Forte [de Santo António da Barra, em São João do Estoril, Cascais], despedir-me do Dr. Salazar e vi que tinha partido um pé. Quando indaguei da sua saúde, respondeu-me:

−  Oh!, menina O meu pé não tem importância nenhuma, agora se fosse o do Eusébio, aí sim, aí é que podia ser um desastre nacional!

− Ora aí está uma boa história para eu contar aos rapazes, eles vão gostar de saber  que o Sr. Dr. também está a torcer pela nossa equipa (...) [Em itálico, no original]  

Foram histórias como esta que Cilinha levou na bagagem" (pág. 144). (...)

(Revisão / fixação de texto: LG)


2. Comentário do editor LG:

Isto é humor do melhor: não sei o que mais apreciar,  se a "falsa modéstia" de Salazar, se  a "grande lata" da Cilinha...  Os três já morreram. Em pleno Campeonato Mundial de Futebol (2026), é justo recordar o "nosso grande Eusébio", que também foi soldado, como nós... mas teve a sorte de não ir parar à Guiné... O António Simões, outro dos "Magriços",  teve de pagar 150 contos a um caramelo, o Ivo,  para não ir à guerra, e poder estar presente no Campeonato Mundial de Futebol de 1966 (na Inglaterra)...


Foto nº "42. Oliveira Salazar apreciava a alegria e frontalidade de Cecília Supico Pinto que o considerava 'um verdadeiro príncipe'. Foi uma das últimas pessoas a vê-lo com vida (Arquivo do Diário de Notícias)". (Reproduzida, com a devida vénia, do livro supracitado.)
______________

Nota do editor LG:

Último poste da série > 13 de junho de 2026 > Guiné 61/74 - P28095: Humor de caserna (273): Ao Tony, vocalista da banda "Os Bambas D'Incas", com votos de que ainda continue vivo, e romântico mas... "não trôpego"

terça-feira, 16 de junho de 2026

Guiné 61/74 - P28104: Movimento Nacional Feminino: Mais artistas de renome em digressão pelo CTIG: os atores do teatro de revista e depois dupla humorística na televisão, Francisco Nicholson & Armando Cortez, atuaram, de 28 de setembro a 5 de outubro de 1967, em Nova Lamego (29Set), Bafatá (30Set), Tite (1Out), UBIB/Bissau (1Out), Teixeira Pinto 02Out) e Mansoa (04Out) (Emanuel Ribeiro Fernandes, ex-alf mil, Gabinete Militar do Com-Chefe, set 67/set 69)



Oeiras > Algés > Restaurante Caravela de Ouro > Magnífica Tabanca da Linha > 57º almoço-convívio > 26 de setembro de 2024 > A estreia do "mgnífico" Emanuel Ribeiro Fernandes


Foto (e legenda): © Manuel Resende (2024). Todos os direitos reservados. [Edição : Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. Email enviado através do Formulário de Contacto do Blogger

Data - sexta, 14/11/2025, 20:56

Caro Luis Graça

Há alguns anos estive inscrito no blogue, mas também não era comum visitá-lo. Prestei serviço como alferes miliciano no Gabinete Militar do Comando-Chefe, de set67 a set69.

Abraço, e espero encontrar-te no próximo almoço da Tabanca da Linha.

Cumprimentos,
Emanuel Ribeiro Fernandes


2. Nova mensagen remetida pelo Formulário de Contacto do Blogger


Data - segunda, 15/06/2026, 21:35

Caro Luis Graça:

Respondendo ao teu desafio sobre a participação de artistas nacionais em visita às NT na Guiné (*), junto este pequeno contributo.

Os actores Francisco Nicholson e Armando Cortez e a actriz Manuela Maria (Alzira) visitaram a Guiné de 28 de setembro e 5 de outubro de 1967.

Deram espetáculos em:
  • Nova Lamego (29set), 
  • Bafatá (30set), 
  • Tite (1out), 
  • UBIB/Bissau (1out), 
  • Teixeira Pinto (?) (2out) 
  • Mansoa (4o lóut).
Testemunhei o excelente acolhimento dos nossos militares mas também a generosidade destes artistas, que não se furtaram a incómodos e riscos.

Cumprimentos,
Emanuel Ribeiro Fernandes

3. Comentário do editor LG:

Olá, Emanuel. Obrigado pelo teu contributo. Precioso. Quem é que, ao fim destes anos todos, ainda guarda memórias precisas (nomes, datas, locais), da visita ao CTIG de artistas de primeiro plano, conhecidos sobretudo do teatro de revista e da televisão, como os que citas ?

São dados que não constam nas biografias destes atores, infelizmente já falecidos, os dois primeiros:
Fico feliz por o nosso apelo não ter caído em saco roto, e que volto aqui a repetir:

"Quem assistiu, no mato, a espetáculos de artistas da metrópole em digressão pela Guiné ? Em que local? Quem atuou? Há fotos, cartazes, programas, autógrafos ?"


Emanuel, tenho-te encontrado na Tabanca da Linha. Sei que és de Mafra. E, se entendi bem, trabalhaste no aeroporto de Lisboa ou na TAP. Para a próxima temos que ficar juntos, à mesa, para me falares com mais pormenor dos teus tempos de Guiné. 

E ficas, claro, desde já convidado para integrar a Tabanca Grande. Falta-te essa honra no teu currículo... Honra para ti e para os demais amigos e camaradas da Guiné. Já somos 915 (entre vivos e mortos). 

Um alfabravo, Luís.

A dupla em "Riso e Ritmo" (RTP, 1969).
(Com a devida vénia...



4. A dupla humorística Armando Cortez / Francisco Nicholson
 
Em 1967, os atores do teatro de revista Armando Cortez e Francisco Nicholson, caras conhecidas da televisão (que começara  emitir regularmente em Portugal em 1957, a preto e branco, e só 23 anos depois, a cores!), integraram uma das digressões artísticas ao ultramar, organizadas pelo Movimento Nacional Feminino, atuando para a população civil e para os militares. 

No caso da Guiné, foram aos únicos sítios possíveis que tinham salas de cinema ou de espetáculos, tipo cine-teatro, minimamente aceitáveis (Bissau, Mansoa, Bafatá, Nova Lamego,  Teixeira Pinto,  e pouco mais).

E praticamente ainda não havia estradas alcatroadas (a não ser o troço Bissau-Mansoa).

O itinerário limitou-se aos principais centros urbanos (sedes de circunscrição / conselhos)  e aquartelamentos de maior dimensão que dispunham de infraestruturas mínimas (cine-teatros ou pavilhões multiusos dos clubes locais, além de instalações das Forças Armadas):
  • Bissau: onde se exibiram na União Desportiva Internacional de Bissau (UDIB), o grande polo dinamizador da vida social e desportiva da capital da província, a par da Associação Comercial e Industrial (que ficava perto);

  • Mansoa, na região do Óio, e a vila do interior mais perto da capital, por estrada (alcatroada); tinha um clube de futebol, ainda hoje famoso, o Clube Futebol Balantas de Mansoa, fundado em 1946, filial (nº 13) do nosso Os Belenenses!

  • Bafatá e Nova Lamego (Gabu): no Leste, que eram zonas de forte presença militar e eixos estratégicos de circulação; na altura Batafá, outrora próspera  graças ao comércio da mancarra, e agora de cara lavada  devido ao "patacão ": será elevada a cidade, a segunda, da Guiné, em 1969;

  • Teixeira Pinto (Canchungo):  no Norte, na região do Cacheu, sede de um importante subsetor militar, e do "chão manjaco",  e cuja vila tinha um cinema;

  • Tite: no Sul, região de Quínara, uma  das zonas mais fustigadas pelo conflito, mas que disporia de instalações capazes de acolher a comitiva com relativa segurança para a época: estava perto de Bissau, passara a ser sede circunscrição com a decadência e o isolamento de Fulacunda, impostos pela guerra. (Não tenho ideia nenhuma de haver um cine-teatro em Tite, no nosso tempo!)


Na altura,  a dupla Armando Cortez e Francisco Nicholson estava no auge do sucesso em Portugal graças ao programa humorístico da RTP "Riso e Ritmo" (1965-1969), o que tornou os atores figuras muito reconhecidas e acarinhadas pelos militares metropolitanos.

Recorde-se que essa dupla  foi um marco fundamental no humor português, sobretudo  na televisão, abrindo portas para muitos outros. Ambos os atores transitaram com sucesso do teatro de revista,  no popular Parque Mayer, em Lisboa,  para a televisão nos anos 60, onde se destacaram como autores, produtores e protagonistas de alguns dos programas mais emblemáticos da RTP. 
 
O "Riso e Ritmo" (1965-1969) é hoje considerado um dos progranmas pioneiros do humor televisivo em Portugal.  Com autoria e produção de ambos (e realização de Luís Andrade), o programa decorria num cenário de uma cozinha gigante, tendo marcado a época com rábulas aceleradas e um formato de variedades. O humor era de tipo "non-sense", a única maneira de iludir a censura dos senhores coronéis.

Para além do humor, esta dupla de sucesso envolveu-se também na produção de música, espetáculos ao vivo e na ligação a editoras discográficas, ajudando a moldar o panorama de entretenimento da época. 

Tinha um estilo inconfundível:  os seus textos focavam-se fortemente na realidade portuguesa e caracterizavam-se por um ritmo acelerado, o que frequentemente resultava em momentos cómicos espontâneos ("gags") durante as gravações. (Veja-se, aqui, na RTP Arquivos,  a emissão especial de Natal de 1969, com a duração de 1 hora e c. 15 minutos.)

Essa digressão de Armando Cortez e Francisco Nicholson (mais a Maria Manuela) à Guiné, em 1967, ilustra bem o esforço logístico e psicológico que se fazia na época para elevar o moral das tropas através do entretenimento. 

No auge do sucesso do "Riso e Ritmo", os dois atores e autores eram das caras mais conhecidas e queridas do público português, e a sua deslocação ao TO da Guiné teve naturalmente algum impacto  junto dos militares (e dos poucos "colonos", que viviam naquelas paragens inóspitas).

Esta digressão foi organizada e patrocinada pelo Movimento Nacional Feminino (MNF), liderado pela carismática e influente Cecília Supico Pinto (conhecida popularmente como "Cilinha"): íntima de Salazar, era então uma mulher poderosa, talvez a mulher mais poderosa do Portugal da época, embora já em fim de época e de regime...

Mas em setembro de 1967, ainda era vivo e temido o "senhor doutor" com quem ela emparceirou diversas vezes,  fazendo o papel de "primeira dama" em eventos públicos; recorde-se que Salazar era solteiro; e ela foi uma das últimas pessoas a vê-lo com vida, recorda a sua biógrafa, Sílvia Espírito-Santo).

O MNF terá sido inspirado diretamente na USO (United Service Organizations), criada em 1941, como forma da sociedade civil apoiar moral e psicologicamente os militares norte- americanos e as suas famílias durante a II Guerra Munda. Levava grandes estrelas de Hollywood e da música (o "show business") para os teatros de operações para entreter os soldados envolvidos nesse conflito, e noutros subsequentes (Coreia e Vietname). 

A Cecília Supico Pinto percebeu cedo o impacto avassalador que o contacto direto com os artistas em voga na Metrópole exercia sobre o moral dos jovens mobilizados no ultramar, a milhares de quilómetros de casa.

O MNF utilizava a sua enorme influência junto do regime, dos meios empresariais e dos transportes (como a TAP e os  TAM) para viabilizar estas "caravanas artísticas", garantindo que as maiores figuras do teatro, da rádio e da televisão estivessem presentes nos palcos possíveis do Ultramar.

Embora o programa "Riso e Ritmo" fosse em formato televisivo de variedades, era  complexo, envolvendo orquestra, corpo de baile, vários cantores, etc.. Daí que, na deslocação à Guiné,  teve de ser adaptado à realidade de um território em guerra ativa, e com escassez de salas de espetáculos.  A dupla Cortez e Nicholson terá apresentado um espetáculo focado sobretudo em sketches de comédia, rábulas humorísticas e sátira social ligeira,  permitindo uma montagem rápida, barata e flexível.

A ligação de Armando Cortez e Francisco Nicholson ao esforço de apoio moral aos soldados não se esgotou nesta curta e intensa semana de 1967 na Guiné. Anos mais tarde, em 1971 a dupla voltou a dar a cara por uma das maiores iniciativas do MNF: o célebre LP de vinil "Natal 71" (inserido na Operação Presença)

Com uma tiragem impressionante (para o país e para a época) de 300 mil exemplares distribuídos pelas frentes de combate, esse disco juntava mensagens e participações de figuras maiores da cultura e do desporto nacional (como Amália Rodrigues, Eusébio, Hermínia Silva e os Parodiantes de Lisboa). 

Armando Cortez e Francisco Nicholson participaram ativamente na gravação, oferecendo o seu humor como bálsamo para mitigar a solidão e o isolamento dos milhares de jovens que passavam a quadra natalícia no mato. 

Embora o disco tenha sido um fiasco e um rombo no cofre do MNF: é que os soldados no mato não tinham gira-discos ,nem eletricidade... Ninguém, no MNF, no "bem bom" de Lisboa, se lembraria destes detalhes...

Pesquisa; LG + IA (Gemini / Google) (Vibe / Mistral )

(Condensação, revisão / fixação de texto, negritos,links, título: LG)
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Nota do editor LG:


sábado, 13 de junho de 2026

Guiné 61/74 - P28094: Movimento Nacional Feminino: visita da Cilinha a Bambadinca e espetáculo com a "prata da casa", o Conjunto Musical Os Bambas D'Incas, em princípios de maio de 1969



Prompt original e composição editorial: Luís Graça.

Foto: José Carlos Lopes (2013)

Geração gráfica assistida por IA: ChatGPT/OpenAI.

Guiné > Zona Leste > Região de Bafatá >Setor L1 > Bambadinca > CCS/BCAÇ 2852 (1968/70) > c. maio de 1969  

 Representação artística da parada do quartel de Bambadinca: visita da presidente do Movimento Nacional Feminino, Cecília Supico Pinto (1921-2011), mais conhecida por "Cilinha";  faz entrega de oferta de instrumentos musicais ao Conjunto Os Bambas D'Incas, formado por militares do batalhão.

Com base em foto do álbum do José Carlos Lopes, ex-fur mil amanuense, com a especialidade de contabilidade e pagadoria, especialidade essa que ele nunca exerceu (na prática, foi o homem dos reabastecimentos do batalhão).

Foto nº 1 > Guiné > Zona leste > Região de Bafatá > Setor L1 (Bambadinca) > Mansambo (CART 2339, 1968/69) > 1969 > Atuação do conjunto musical, da CCS/BCAÇ 2852 (Bambadinca, 1968/70), "Os Bambas D' Incas": > Os elementos da banda em cima de um abrigo > Da esquerda para a direita, José Maria Sousa ("Braga") (viola solo), de pé; Tony (vocalista), sentado (era "alfacinha");  Otacílio Luz Henriques (viola baixo), de pé; Neves (bateria), sentado (era da Póvoa de Lanhoso); e Peixoto (viola ritmo), de pé (era de Ponta da Barca) (*). (O Otacílio era assistente técnico no Município da Amadora, trabalhou no Departamento de Obras Municipais, reformou-se em 2011.)





Foto nº 2 > Guiné > Zona leste > Região de Bafatá > Setor L1 (Bambadinca) > Mansambo (CART 2339, 1968/69) > 1969 > Atuação do conjunto musical, da CCS/BCAÇ 2852 (Bambadinca, 1968/70), "Os Bambas D' Incas" > O vocalista do grupo. Era radiotelegrafista na CCS/BCAÇ 2852. "Cantava o Fado muito bem. Era bastante indisciplinado, punha a cabeça do alf mil trms Fernando Calado em água" (escreveu o José Almeida, ex-fur mil trms, CCAÇ 12, 1969/71).

Pelo nome e nº mecanográfico terminado em 61, pode ser o 1º cabo nº 14219661 António N. Sousa ("Era refratário, e tinha cinco a seis anos a mais do que nós", diz o Sousa; (...) 
 era natural de Lisboa, onde já cantava, com fadistas conhecidos como a Maria da Fé; desconhece-se atualmente o seu paradeiro; foi ele que em Bambadinca, por volta de maio de 1969, cantou para a Cilinha a famosa canção do Alberto Cortez, "Oh Mónica", EP, 1961, adaptando a letra; Cortez nasceu na Argentina, em 1940, e morreu em 2019, em Espanha].

Fotos (e legendas) : © José Maria Sousa Ferreira (2015). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



Foto nº 3 > Guiné > Zona Leste > Região de Bafatá > Setor L1 > Bambadinca > CCS/BCAÇ 2852 (1968/70) > c. princípios de maio de 1969 > Visita da presidente do MNF e  atuação do conjunto musical Os Bambas D' Incas, formado por cinco (ou seis) elementos: da direita para a esquerda, o 1º cabo Tony ("cantor romântico");  o 1º cabo Serafim (bateria);  o 1º cabo Peixoto (viola ritmo e cantor pop);  o José Maria de Sousa [Ferreira, mais conhecido por "Braga":  era soldado do pelotão de intendência (viola solo), originário do BART 1904 ]; e ainda "um outro 1º cabo que "deveria ser chapeiro e que, na vida civil, praticava halterofilismo" (acabámos por identificá-lo como  sendo o 1º cabo bate-chapas Otacílio Luz Henriques, membro da nossa Tabanca Grande)(*) ... 

Com exceção do Sousa, todos pertenciam ao BCAÇ 2852 e eram 1ºs cabos... 

Foto do álbum do José Carlos Lopes, ex-fur mil amanuense, com a especialidade de contabilidade e pagadoria .

Pela consulta da história da unidade (BCAÇ 2852, Bambadinca, 1968/70), presume-se que:

(i) o Peixoto seja o 1º cabo escriturário José Faria Taveiro Peixoto, nº 11176267, do comando do batalhão, secção de pessoal e reabastecimento;

(ii) o Serafim deve ser o 1º cabo mecânico auto António Luis S. Serafim, nº 06148667, do pelotão de manutenção comandado pelo alf mil Ismael Quitério Augusto, nosso grã-tabanqueiro;

(iii) o Tony, pelo nome e nº mecanográfico terminado em 61, pode ser o 1º cabo nº 14219661 António N. Sousa ("Era refratário, e tinha cinco a seis anos a mais do que nós", diz o Sousa; julga que era condutor, e natural de Lisboa, onde já cantava, com nomes fadistas conhecidos como a Maria da Fé);

(iv) Falta identificar o Neves, que também tocava bateria.



Foto nº 4 


Foto nº 5


Foto nº 6


Foto º 7

Guiné > Zona Leste > Região de Bafatá > Setor L1 > Bambadinca > CCS/BCAÇ 2852 (1968/70) > C. fins de abril / princípios de maio de 1969 > Visita da presidente do MNF  (Fotos nºs, 6 e 7)  e atuação do conjunto musical Os Bambas D' Incas, (Fotos nºs, 3, 4 e 5). 

Destaque para a foto nº 6: a Cecília Supico Pinto (1921-2011), mais conhecida por "Cilinha", sobressaindo de um grupo de militares que a rodeiam e a escutam.. Todos as guerras têm a sua "Pasionaria"... A "Cilinha" terá sido a nossa... Esta foto, notável, do José Carlos Lopes, é uma prova disso... É uma foto de antologia.

Fotos (e legendas): © José Carlos Lopes (2013). Todos os direitos reservados. (Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné)



1. Não, não foi o Conjunto Musical das Forças Armadas (a que pertenceria mais tarde o Vitor Roseira), quem atuou nesse dia da visita da Cilinha a Bambadinca, mas sim a "prata da casa", o Conjunto Musical Os Bambas D'Incas. Corrija-se, então, o título do poste P10993 (***), por mor da verdade...

Tudo indica que esta visita se tenha realizado entre finais de abril e princípios de maio de 1969 (em 2 de maio, a Cilinha estava em Có, na região do Cacheu, e em 11 no Olossato, sede  da  CCAÇ 2402,  a que pertenceu o nosso saudoso grã-tabanqueiro Raul Albino). 

 O aquartelamento de Bambadinca  será atacado, em força, em 28 de maio desse ano. Nessa altura, fim da época seca, a líder do MNF andava pela Guiné.

O meu camarada José Carlos Lopes (estivemos juntos em Bambadinca, de julho de 1969 a maio de 1970,) já não pode precisar a data precisa em que  foram tiradas estes "slides". Mas lembra-se muito bem da visita da Cilinha e da atuação do conjunto musical  (que não era  o das Forças Armadas, mas o grupo local, "Os Bambas D'Incas") que veio animar a malta da CCS do batalhão e subunidades adidas, o Pel Rec Daimler 2046, 1968/70; o  Pel Mort 2106 (esteve em Bambadinca entre Março de 1969 e Dezembro de 1970)., Pel Caç Nat 63, que em junho ou julho vai para Fá, sendo rendido pelo Pel Caç Nat 53) .

2. Um dos membros do  conjunto musical Os Bambas d'Incas, onde tocava viola solo,  foi o José Maria Sousa Ferreira, conhecido pelo "Braga" (*), foi sold mec da CCS/BART 1904, de rendição individual, em 1968; foi depois integrado, na segunda parte da sua comissão, no Pelotão de Intendência (PINT),  sediado em Bambadinca (em 1969/70, já com instalações próprias, junto ao porto fluvial, na margem esquerda do Rio Geba Estreito).

Contou-nos ele que em Bambadinca era muito solicitado para festas de anos e animações, dentro e fora do quartel. Depois formou um conjunto com a malta da CCS/BCAÇ 2852. O Movimento Nacional Feminino (MNF) ofereceu-lhes os instrumentos. 

Tocaram, com grande sucesso, em vários sítios, incluindo Bafatá (na festa de Natal de 1969 e na passagem de ano). As fotos acima referem-se ao dia em que a Cilinha foi visitar Bambadinca... e houve espectáculo musical no edício em U onde ficava o comando do batalhão e as messes e quartos de oficiais e sargentos.

Terminou a sua comissão em abril de 1970. Tornou-se empresário, sendo sócio de várias escolas de condução (provavelmente, hoje estará reformado). 

Em  2015, quando nos contactou, andava à procura da malta do seu tempo e em especial dos elementos que integraram o saudoso conjunto musical Os Bambas d'Incas.  Falou comigo ao telefone. Já voltou à  Guiné, em férias, em 2012,  e claro visitou Bambadinca.
.
Esse conjunto musical cujas fotos se mostram acim,  era formado por 5 elementos, 4 cabos e 1 soldado,  havendo 2 vozes, 3 guitarras elétricas e 1 baterista (pormenor curioso: arranjou um cunhete de munições para pôr em cima da cadeira e "fazer altura") (. Havia 2 bateristas, o Serafim e o Neves.)

Não confundir este conjunto com um outro que andava pela Guiné, o Conjunto Musical das Forças Armadas. (O nosso camarada Vitor Raposeiro, ex-fur mil radiotelegrafista, STM, de rendição individual, que passou por Aldeia Formosa, Bambadinca, Bula e Bissau, 1970/72, também viria a integrar esse Conjunto Musical das Forças Armadas, tendo saído de Bambadinca ao tempo do BART 2917; esse conjunto atuava por toda a Guiné.)

Um das formas de apoio aos militares no mato, por parte do MNF,  para além da realização de espectáculos com artistas trazidos da Metrópole (****),  era ajudar os conjuntos musicais locais "ad hoc", disponibilizando ou fornecendo instrumentos musicais. Ou juntando músicos a cumprir o serviço militar (caso, por exemplo, do Conjunto Musical das Forças Armadas, e do Conjunto Académico Poão Paulo) (*****)

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Notas do editor LG:

(*)  Vd. postes de: 

10 de abril de 2015 > Guiné 63/74 - P14455: O Mundo é Pequeno e a nossa Tabanca... é Grande (97): José Maria de Sousa [ Ferreira, minhoto, com escola de condução no Porto], ex-sold mec aut (BCAÇ 1904 e PINT, Bambadinca, 1968/70) descobre os seus companheiros do conjunto musical a quem o Movimento Nacional Feminino ofereceu, em 1969, os instrumentos






segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

Guiné 61/74 - P27533: Notas de leitura (1874): "Cartas de Guerra (61-74) Aerograma Liberdade”, por Ricardo Correia; edições Húmus, 2024 (Mário Beja Santos)


1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 17 de Março de 2025:

Queridos amigos,
É uma raridade, uma peça de teatro, a que se segue uma carta-concerto, o foco são os aerogramas, o pretexto é um filho, no nosso tempo, interrogar por carta o pai, em 1972, saber que homem era enquanto combatente. A mensagem é este alerta de que ainda há muito para saber destas toneladas de escrita, houve pactos em casais para destruir a correspondência desse tempo, seguramente que terão assumido que foram dores a mais, que se cometeram excessos, que o que ali se disse não devia ser lido por outros olhos; há quem procure ganhar uns cobres e venda aerogramas por meios eletrónicos ou em negócios de velharias; há aerogramas de grande recorte literário, como os de António Lobo Antunes. 

Mas o que continua por esclarecer era o sentir destes homens naquele tempo e naquele lugar, para o investigador seria um termo de referência, de valor discutível, é certo, houve quem escrevesse fantasias, e interrogo-me em termos de estudo como será possível alguma vez fazer a medição dos silêncios, penso sobretudo naqueles nossos camaradas que viveram os pavores de Guileje, Gandembel, Sangonhá, Bedanda, Madina do Boé ou Béli, o que silenciaram para não despedaçar mais a vida dos entes queridos - esses silêncios só podem ser esclarecidos com o rigor dos factos históricos. Não tenhamos dúvidas, ficaram silêncios inquebrantáveis, que mudaram tantas e tantas vidas.

Um abraço do
Mário



Querido pai, escrevo-te do meu presente para o teu passado, a tentar chegar até ti

Mário Beja Santos

O que seria a história da guerra colonial se tivesse sido possível ter acesso às toneladas de correspondência trocadas nas duas direções? É mera conjetura, sei muito bem, grande parte destes documentos foram para o lixo, por decisão dos dois fez-se fogueira, há herdeiros que os põem à venda. 

Foi assim que o pintor Manuel Botelho comprou uma resma de aerogramas entre dois namorados, ele no Bachile, cabo das transmissões, ela costureira, não da Sé mas no alto de Alfama, temos ali um percurso que ele aproveitou para uma performance que deu para entender comportamentos havidos a dois e por dois anos: ele deslumbrado, à chegada, com todo aquele fascínio de verdura, braços de ria, a fauna, as queixas da comida, mas sempre o desassossego se tu me amas ou não, escreve-me, há aqui camaradas meus que andam à procura de madrinhas de guerra, eu só te quero a ti; ela responde, tu sais que te fartas, se isso é uma guerra é feita de turismo, eu estou para aqui a trabalhar dia e noite, os fins de semana são para preparar o enxoval; da euforia inicial e da troca de arrufos, os meses passam, e há aerogramas que parecem travessias no deserto, não desampares, isto nunca mais acaba, há noites silenciosas que dão cabo de mim, como é que eu vou poder esquecer este sobressalto em que vivo… E dos muitos aerogramas trocados nos primeiros meses chegamos a um fiozinho de correspondência, há quase uma agonia na expetativa do regresso, experimentada pelos dois. Ora isto é uma simples abordagem da riqueza dos conteúdos, uma das dimensões desse imenso ecrã de quem combatia e de quem deste lado dava apoio e lhe pedia fidelidade.

As autoridades alertavam para a necessidade de muita segurança: nada de dizer no endereço mais do que o SPM; e do lado da guerra nada transmitir que possa cair nas mãos do inimigo e para uso letal.

Escusado é dizer que o teatro é o parente mais pobre da literatura da guerra, avulta a literatura memorial, o romance, a novela e o conto, sobretudo a poesia popular, a diarística, a investigação. Alertado por um dos meus benfeitores, o Dr. João Horta, da Biblioteca da Liga dos Combatentes, “tenho aqui uma peça de teatro que mete a Guiné”, pus-me ao caminho e lá fui àquele ponto do Bairro Alto que tem os passeios completamente escavacados e em frente as obras intermináveis no Conservatório Nacional. 

O livro intitula-se “Cartas de Guerra (61-74) Aerograma Liberdade”, por Ricardo Correia, edições Húmus, 2024, inclui um glossário preparado por Rui Bebiano, com termos alusivos ao conteúdo da peça e de uma carta concerto intitulada “Aurora Liberdade” que tem ilustrações de Cátia Vidinhas.

No tempo presente (2023) um filho escreve uma carta ao pai em 1972, pede-lhe que ele lhe conte o seu viver, que pessoa era o seu pai, quando agora o abraça não sabe exatamente o que escondem os olhos do antigo combatente. “Procuro-te e sei que ainda não te encontrei. Tal como Telémaco procurou o seu Pai, Ulisses.” 

E como nessas peças em que os atores trocam de papel, que ganham uma identidade que acaba por ser transferida para outrem, como nas peças de Luigi Pirandello, iremos percorrer num couro dos soldados portugueses a cronologia dos acontecimentos dessa guerra, entra em cena o Movimento Nacional Feminino, ouve-se Cecília Supico Pinto afirmando que é “aberto à participação de todas as mulheres portuguesas exceto as comunistas e as comodistas”

Graças a este Movimento e ao apoio da TAP nasceu o aerograma, atores e atrizes conversam como militares e família, a conversa também transita para o presente, há cartas a um país que silenciou a guerra colonial, um militar está na Guiné, o autor entra em cena, pede colaboração à assistência, diz que está a fazer um espetáculo sobre a correspondência na guerra colonial portuguesa, diz que o pai esteve mobilizado e combateu na Guiné. Vai ser entrepelado, dão-se sugestões.

A peça muda agora de rumo, estamos no presente, conversam atores com o ex-combatente, mas há também testemunhos, não se esconde que existe o stress pós-traumático, uma atriz em cena, de nome Penélope tem como destinatário Telémaco. 

“As cartas chegavam diariamente, mas era como se falássemos em diferido. Ele respondia-me a coisas passadas. Vivíamos em tempos diferentes.” 

É uma mãe a falar ao seu filho dos amores que teve pelo seu pai, queimaram todo o correio trocado “para avançarmos com a nossa vida”

E faz-lhe um pedido: 

“Cabe-te a ti inventar as palavras que queimámos. Talvez assim, um dia, possas contar esta história aos teus filhos. Já não me cabem mais palavras nesta carta. Um beijo grande desta mãe que te ama.”

Finda a peça teatral, segue-se a carta concerto, de novo o aerograma como fio condutor, há uma triangulação na correspondência, o pai soldado, a mãe e a filha, Catarina da Paz, há saudades e há notícias, ficamos a saber que o soldado compreende a revolta de quem o combate, a mãe não esconde as saudades, e vem os festejos do 25 de Abril, Catarina da Paz despede-se do espectador dizendo que este em cena a história dos seus pais.

Em jeito de posfácio, Sónia Ferreira faz comentário a estes conteúdos. Quanto à natureza dos tais aerogramas que chegavam diariamente, mas era como se eles falassem em diferido, dirá:~

 “O peso de um tempo longo e da não-simultaneidade é-nos hoje estranho. A ideia de que a comunicação se dava em diferido, que não acompanhava o ritmo constante da vida, que as respostas que recebo hoje são sobre o ontem, provocará estranheza no público mais jovem.” 

E deixa-nos este comentário final: 

“A sociedade pós-colonial que hoje somos, fruto do desmoronar de um império que ainda hoje persiste e se afirma em ideologias racistas (como bem identifica Ricardo Correia referindo Alcindo Monteiro e Bruno Candé), em património colonial edificado e em lampejos anacrónicos de grandeza, tem se der pensada e construída em relação direta com esta memória difícil que nos atravessa, mesmo que alguns a queiram convenientemente rescrita.”
Ricardo Correia
Advertências das autoridades para a necessidade de segurança do que se escrevia nos aerogramas
Aerogramas de José Rubira: Guiné-Bissau / Montemor-o-Novo 1971-1973, retirado do site Foto-Síntese
“Aerograma Liberdade”, de Catarina Moura
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Nota do editor

Último post da série de 12 de dezembro de 2025 > >Guiné 61/74 - P27523: Notas de leitura (1873): Uma publicação guineense de consulta obrigatória: O Boletim da Associação Comercial, Industrial e Agrícola da Guiné (4) (Mário Beja Santos)

segunda-feira, 2 de junho de 2025

Guiné 61/74 - P26873: Questões politicamente (in)corretas (59): Porque é que os "turras" jogavam xadrez e os "tugas" não ? (José Belo, Suécia)



PAIGC > Algures numa "barraca" > s/d (c. 1970) > Um partida de xadrez entre Júlio Carvalho ("Julinho") e Valdemar Lopes da Silva,  cabo-verdianos.  Observadores: "Tchifon" e Cláudio Duarte, também cabo-verdianos. A caixa do tabuleiro tem a inscrição "svenska schack" (em sueco, "xadrez sueco")... Uma oferta da Suécia  com amor ao PAIGC...  A foto deve ser c. início dos anos 70. Em primeiro plano, uns óculos de sol e a ponta de uma arma (talvez uma Kalash, russa)

 (Edição e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné)

Fonte: Casa Comum | Instituição:Fundação Mário Soares e Maria Barroso | Pasta: 05222.000.141 | Título: Júlio de Carvalho, Tchifon, Cláudio Duarte e Valdemar Lopes | Assunto: Os combatentes cabo-verdianos Júlio de Carvalho [Julinho], Tchifon, Cláudio Duarte e Valdemar Lopes [da Silva] jogando xadrez numa base do PAIGC | Data: 1963 - 1973 | Observações: Valdemar Lopes da Silva foi professor no Centro de Instrução Política e Militar (CIPM) do PAIGC, a partir de 1970 | Fundo: DAC - Documentos Amílcar Cabral | Tipo Documental: Fotografias


Citação:
(1963-1973), "Júlio de Carvalho, Tchifon, Cláudio Duarte e Valdemar Lopes", Fundação Mário Soares / DAC - Documentos Amílcar Cabral, Disponível HTTP: http://hdl.handle.net/11002/fms_dc_43496 (2025-5-31)

(Reproduzido com a devida vénia...)



1. Comentário do José Belo, o (e)terno régulo da Tabanca da Lapónia de Um Homem Só (oficial do exército dos "tugas", e jurista na Suécia,  reformado):


Data - domingo, 1/06/ 2025, 23:02
 
Assunto - Fronteira cultural ?

Caro Luis

A caixa da fotografia é de facto uma caixa de xadrez de marca muito conhecida na Suécia.

Eram muitos, e diversos, os fornecimentos efectuados pela Suécia ao PAIGC.

Curiosamente, em talvez milhares de fotografias dos Camaradas da Guiné por nós observadas, não existe uma única com um tabuleiro de xadrez.

Matraquilhos, póquer  de
 dados, damas, lerpa, e talvez uma pseudossofisticada partida de bridge no Clube Milar de Santa Luzia em Bissau ou … em resguardados Comandos de Batalhão.

Mas, xadrez? Ficaria para os “turras”? 

Abraço do J. Belo
 
2. Comentário do editor LG:

Zé Belo, boa pergunta, melhor observação (**)... "Fronteira cultural ?"...

Eu sei que o xadrez era cultivado na Suécia com grande entusiasmo ... Na guerra, nos sítios por onde passei, não me lembro de facto de ver um tabuleiro de xadrez... Mas isso não faz ciência... O mais vulgar eram os jogos de cartas, a "vermelhinha", a lerpa, a sueca, o king, talvez o bridge... 

Nunca gostei de jogar cartas... Alegava sempre que era daltónico, não sabia distinguir as copas das espadas...Também não me lembro de ver tabuleiros de damas nos nossos quartéis... (O meu pai, que era um excelente jogador de damas, aprendeu em Cabo Verde, quando lá foi  "expedicionário", em 1941/43)...

O Movimento Nacional Feminino podia oferecer um tabuleiro (de xadrez, de damas)... Se calhar nunca ninguém pediu à Cilinha (*)...Não sei se Salazar gostava de xadrez...Sei que gostava da Cilinha... E a Cilinha gostava de nós... E nós gostávamos da Guiné... Estivemos lá 13 anos, em pré-guerra e em guerra. E continuamos a gostar:  a prova é este blogue que já fez 21 anos em 23 de abril passado...

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025

Guiné 61/74 - P26494: (De)Caras (227): A Cecílica Supico Pinto (2021-2011), que eu conheci, em Có, em visita do MNF, a 2 de maio de 1969 (Miguel Rocha, ex-alf mil inf, a exercer na altura as funções de cmdt, CCAÇ 2367, 1968/70)




Legenda: "Assinando como 'Alferes' Cilinha, o cartão dirigido pela Presidente do MNF ao alf mil Miguel Rocha,  a acompanhar a carta oficial de agradecimento pelo acolhimento que recebeu no aquartelamento em Có, em 2 de maio de 1969."





Guiné > Região do Cacheu > Có > CCAÇ 2367 (1968/70) > 2 de maio de 1969 > O alf miul Miguel Rocha e a presidente do Movimento Nacional Feminino. (*)

Fotos do álbum do Miguel Rocha, ex-alf mil inf, CCAÇ 2367/BCAÇ 2845, "Os Vampiros", Olossato, Teixeira Pinto e Cacheu, 1968/70).


Foto (e legenda): © Miguel Rocha (2021). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


Cecília Supico Pinto (1921- 2011) - "Portadora de afetos"

Por Miguel Rocha



Conheci a elegante senhora D. Cecília Supinco Pinto  a 2 de maio de 1969, aquando da sua visita, por duas ou três horas, ao aquartelamento de Có, que à época transbordava de militares oriundos das mais diversas Armas do Ramo do Exército, empenhados na construção da estrada Có-Pelundo (...).

O comando da minha Companhia, a CCAÇ 2367/BCAÇ 2845, estava a meu cargo, e é nessa circunstância que o cmdt do aquartelamento me indigita para assumir a ação protocolar de receber a ilustre presidente do MNF, missão assaz facilitada pela sua natural simpatia, sublime educação, determinação, inteligência, coragem, conhecimento dos teatros de guerra, do carinho quase maternal com que a "Cilinha" se dirigia aos seus"meninos", falando-lhes, é certo, com alguma exultação patriótica, mas sobretudo do amor e da saudade de suas Mães,  que curiosamente eram da sua geração e que lá longe, na Metrópole, viviam em permanente ansiedade cientes da dureza da guerra por terras da Guiné.

Num dos momentos mais informais, e num cordial diálogo que mantivemos, enalteci-lhe, e agradeci-lhe, a criação do espectacular "Aerograma" de que eu próprio era assíduo utilizador, e a importância sentimental que ele tinha para os militares e suas famílias, sem por sombras imaginar, à época, os números astronómicos diariamente assumidos no movimento postal só pelo uso do "bate-estradas", como era conhecido na gíria militar.

E saudei na sua pessoa a intervenção bem notória do MNF na agilização das burocracias duma retaguarda inundada de emperrantes "pequenos poderes", que se quedavam numa abjeta inércia sem o mínimo respeito pelos combatentes, ou sua memória, e suas doídas e quase sempre carenciadas famílias.

(...) No I centenário do seu nascimento (30/05/1921) (...), em sua memória, e com profundo respeito e admiração pela sua pessoa e sua obra, não esquecendo todas as outras senhoras do MNF, muitas delas mães de jovens mobilizados para as frentes de combate, venho aqui deixar meu testemunho de eterna gratidão pelo apoio dado aos combatentes na sua inegável qualidade de 'portadora de afectos' " (...) (**)

quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

Guiné 61/74 - P26281: Álbum fotográfico de Ramiro Figueira (ex-Alf Mil Op Especiais da 2.ª CART / BART 6520/72, Nova Sintra, 1972/74) (3)

Alf Mil Op Especiais Ramiro Figueira
Foto 14 – A preparar uma saída com o meu grupo. Atrás de mim, a meter a bala na câmara, o furriel Gonçalves. Mais atrás à direita os furriéis Ferreira (4.º grupo) e Sousa
Foto 15 – O alferes Garcia prepara uma saída com o seu grupo (o 2.º grupo)
Foto 16 – Antes da saída para o reabastecimento em Lala, uma fotografia para o “ronco”… Da esquerda para a direita em cima: Um furriel fotocine que nos visitava, eu de MG42 na mão, o capelão Rui no papel de municiador. Sentados também da esquerda para a direita: o Fenando, um soldado do meu grupo, o furriel Filipe, que foi gravemente ferido num ataque terrível em DEZ 1972, um condutor que não recordo o nome e o alferes Garcia
Foto 17 – Na picada a caminho de Lala
Foto 18 – Chegaram as LDM com o reabastecimento
Foto 19 – A grande confusão no descarregamento das LDM e canoas
Foto 20 – A visita da Cilinha a Nova Sintra. Deu o pontapé no início do jogo. Está ao meu lado, do lado esquerdo da Cilinha o condutor Monteiro, infelizmente não me recordo do nome dos outros. A Cilinha tinha chegado na véspera, dormiu em Nova Sintra e partiu de heli no dia deste jogo
Foto 21 – Eu e o furriel Elias, infelizmente já não entre nós. Atrás o Monteiro. Fotografia tirada a bordo da LDG que nos levou a Bissau, de onde seguimos para o Cumeré, em Julho de 1974

Fotos (e legendas): © Ramiro Figueira, ex-Alf Mil Op Especiais da 2.ª CART / BART 6520/72

(continua)

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Nota do editor

Último post da série de 11 de dezembro de 2024 > Guiné 61/74 - P26257: Álbum fotográfico de Ramiro Figueira (ex-Alf Mil Op Especiais da 2.ª CART / BART 6520/72, Nova Sintra, 1972/74) (2)

quarta-feira, 31 de julho de 2024

Guiné 61/74 - P25797: (De)Caras (214): Cecílica Supico Pinto: a "líder carismática" do Movimento Nacional Feminino, com acesso privilegiado a Salazar, que veio preocupadíssima com a situação na Guiné, na véspera do 25 de Abril de 1974

 

Foto nº "34. Cilinha no porto de Lisboa na despedir-se de militares que partiam para as 'províncias ultyramarinas'. O MNF apoiava moralemnet os soldados na frente de batalha, mas não esquecia o apoio às famílias que ficavam na retaguarda.  (Arquivo do Diário de Notícias)".

Foto nº "37. Acompanhada pela Comissão Central do MNF, Cilinha fala aos jornalsitas sobre as atividades do Movimento" (Serviço do Arquivo de Lisboa / DGARQ / CPF/ MC / SEC / AG/01- 171/1546AR.)" (A Renata Cuha e Costa, vice-presidente do MNF, é a terceira a contar da direita.)

Fot nº "33. O presidente da Câmara de Lisboa, general França Borges,com algumas senhoras do MNF. dirante a receçãpo que lhes ofereceu em Montes Claros por ocasio do primeiro congresso daquele organismo, 1966. (Serviço do Arquivo de Lisboa / DGARQ / CPF/ MC / SEC / AG/ 01- 171/1586AR.)"



Foto nº "37. Condecorada com a medalha de prata do Mérito Femino pelo ministro do Exército, coronel Joaquim Luz Cunha, por ocasião do sexto aniversário do MNF, 1967. (Serviço do Arquivo de Lisboa / DGARQ / CPF / MC / SNI / RP /03- 6704/56410.)".


~
Foto nº "42. Oliveira Salazar apreciava a alegria e frontalidadfe de Cecília Supico Pinto que considerava 'um verdadeiro príncipe'.  Foi uma das últimas pessoas a vê-lo com vida. (Arquivo do Diário de Notícias)".

Fotos selecionadas e reeditadas pelo blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2024), com a devida vénia


Capa do livro de Sílvia Espírito-Santo, “Cecília Supico Pinto: o rosto do movimento nacional feminino”. Lisboa: A Esfera do Livro, 2008, 222 pp.



1. Confidenciou a Cecília Supico Pinto (Lisboa, 1921 - Cascais, 2012) à sua biógrafa, Sofia Espírito-Santo (op cit, pág., 98):

(...) "O Dr. Salazar gostava que eu lhe contasse tudo o que via e ouvia e acreditava em mim porque sabia que eu não tinha medo de lhe dizer a verdadae, doesse a quem doesse! No fim dizia-me sempre: 'Para que quer a menina que eu vá a Angola se a menina ma traz aqui? ' " (..:)


Não duvidamos da autencidade desta confidência: Cecília Supico Pinto não foi "la Pasionaria" do regime salazarista, mas podia tê-lo sido... Tinha, inegavelmente, algumas qualidades pessoais, como por exemplo a liderança carismática, o charme, a elegância, a educação, a coragem, a coerência, a dupla elevação (física e moral) de algumas (poucas) mulheres da elite portuguesa da época: por exemplo, era mais alta que muitos homens e que a generalidades das mulheres portuguesas... (Vejam-se as fotos acima.)

De qualquer modo, o que nos chamou mais atenção, nesta seleção de fotos que tomámos a liberdade de fazer (com a devida vénia à Sílvia Espírito-Santo) foi a legenda da foto nº 34, que serve de imagem da capa do seu livro.

Por mensagm de 22/07/2024, 08:31, o João Sacôto, ex-alf mil at inf, CCAÇ 617 / BCAÇ 619 (Catió, 1964/66), legendou a fot0 nº 34, do seguinte modo:

"Nesta fotografia estão: da esquerda para a direita: (i) o comandante do Batalhão de Caçadores 619, coronel Matias; (ii) o alf mil Montes (da CCAÇ 616, que foi para Empada); (iii) outro alferes, da CCAÇ 616 de que não me lembro o nome; (iv) a D. Cecília Supico Pinto; (v) outra cara desconhecida; (vi) o major Jesus Correia, 2º. comandante do BCAÇ 619; (vii) e finalmente outra cara de que me não recordo."

Falando ao telefone, com o meu amigo e vizinho de Ferrel, Peniche, Joaquim Jorge, ex-alf mil da CCAÇ 616 (Empada, 1964/66), ele confirmou que o Montes foi seu camarada: Fernando Paulo Montes, mais tarde médico de clínica geral, no SNS. Vivia em Sesimbra, chegou a ir aos primeiros encontros anuais da malta. Depois perdeu-lhe o contacto. Já morreu, infelizmente, de cancro.

2. O Joaquim Jorge também me confirma, para surpresa minha, que a Cilinha esteve em Empada em 1964 ou 1965, "já uns meses depois de o batalhão ter chegado". Não podia ter sido em 1966, uma vez que o BCAÇ 619 embarcou para Lisboa, a 27 de janeiro. Até agora, só tínhamos referenciado quatro visitas da "Cilinha" à Guiné: 1966, 1969, 1973 e 1974.

A Guiné será, entretanto, a última visita que ela fará, ao serviço do Movimento Nacional Feminino,  já a escassas semanas do 25 de Abril de 1974. Foi lá que tomou contacto com o livro do general Spínola, "Portugal e o Futuro" (que achou "nada de especial nem sequer bem escrito") (pág. 182).

Veio de lá com sentimentos contraditórios, tendo de imediato partilhado, ao telefone, com o Ministro da Defesa, Silva Cunha, os seus temores:

(...) As coisas não estão nada brilhantes, venho preocupadíssima da Guiné, também estive em Angola e Moçambique, o senhor sabe que eles comigo abrem-se e não fazem qualquer cerimónia. E vou dizer-lhe mais, eu parece-me que não sou uma pessoa com falta de coragem, tenho andado debaixo de fogo,tenho ido aos sítios mais complicados, mas não tenho é vocação para mártir e ou vocês fazem realmente qualquer coisa, realizam que isto está muito grave ou isto acaba mal. Como lhe digo não tenho vocação para mártir" (...) (Cecília Supico Pinto, Cascais, 22 de novembro de 2004, em entrevista dada à Sílvia Espírito-Santo, op. cit., 2008, pág. 183.)


Contrariamente a Salazar, de quem era íntima (e por isso amada e odiada dentro do próprio regime), a "Cilinha" não manteve com Marcello Caetano a mesma relação pessoal de mútua admiração e confiança. "Salazar era mais forte que Marcelo" (pág. 178).

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Nota do editor:

Último poste da série > 20 de julho de 2024 > Guiné 61/74 - P25765: (De) Caras (304): Não conheci pessoalmente o cap inf Manuel Aurélio Trindade, último cmdt da 4ª CCAÇ e primeiro cmdt da CCAÇ 6 (Rui Santos, ex-alf mil, 4ª CCAÇ e CIM Bolama, Bedanda e Bolama, 1963/65)